terça-feira, 23 de julho de 2019

Perniciosos Efeitos da Incredulidade

A postagem a seguir é de um texto escrito pelo puritano inglês John Flavel (1627-1691) e publicado pelo Ministério Fiel sobre os efeitos produzidos pela incredulidade na nossa trajetória cristã. É sempre necessário lembrar a raiz dos nossos medos para que o coração se arrependa diante do Senhor e confie plenamente em Seu amor e em Sua justiça. Espero que seja uma leitura que edifique seu coração e ilumine seus passos em direção Àquela linda cidade que nos aguarda. 

Imagem extraída do Pinterest

~ Perniciosos Efeitos da Incredulidade ~

Menos fé, mais medo. O medo é produzido pela incredulidade; a incredulidade é fortalecida pelo medo. Assim como na natureza existem ciclos observáveis (o vapor produz chuvas, e as chuvas se tornam vapores novos, etc.), assim também ocorre com os assuntos morais. Conseqüentemente, toda a habilidade do mundo não pode nos curar da enfermidade do medo, até que Deus nos cure de nossa incredulidade. Por isso, o Senhor Jesus utilizou o método correto para libertar seus discípulos do medo, ao censurar-lhes a incredulidade. Os resquícios deste pecado no povo de Deus são a causa e a fonte de seus temores. Mais particularmente, Cristo os libertou de seu medo para mostrar-lhes como o medo é gerado pela incredulidade e que devemos ser advertidos a respeito de algumas particularidades.

1. A incredulidade enfraquece e obstrui o ato de anuência por parte da fé. Por isso, a incredulidade rouba, em grande medida, o principal alívio da alma contra os perigos e dificuldades. O ofício e a utilidade da fé consistem em tornar real para a alma as coisas do mundo por vir, fortalecendoa, assim, contra os temores e perigos do mundo presente. “Moisés.... abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hebreus 11.24,27). Se este ato de anuência da fé enfraquecer-se ou mostrar-se vacilante na alma; se as coisas invisíveis parecerem incertas, e as visíveis forem as únicas realidades, não devemos nos admirar de ficarmos tão assustados e amedrontados, quando o bem-estar visível e sensível é exposto e colocado em perigo, conforme ele é e sempre será neste mundo instável. O homem que não está completamente persuadido de que é firme e bom o solo em que pisa, esse homem tem de sentir medo de permanecer em tal solo. Não devemos nos admirar de que os homens tremam quando parecem sentir que o solo balança e se move sob os pés deles.

2. A incredulidade fecha os refúgios que a alma encontra nas promessas divinas; e, por deixá-la sem estes refúgios, coloca-a em temores e pavores. Aquilo que fortalece e encoraja um crente, em tempos maus, é a sua dependência de Deus, no que se refere à proteção. “Em ti é que me refugio” (Salmo 143.9). O ato de privar a alma deste refúgio, perpetrado tão somente pela incredulidade, despoja-a de todos os amparos e socorros que as promessas proporcionam; conseqüentemente, enche o coração de ansiedade e temor.

3. A incredulidade torna o homem negligente e descuidado em se preparar para as dificuldades, antes que elas venham, e que vêm sobre ele de maneira surpreendente. E quanto mais surpreendente for um mal, tanto mais atemorizante o acharemos. Não podemos pensar que Noé ficou tão atemorizado quanto o ficaram as demais pessoas, na ocasião do Dilúvio, quando as águas começaram a se elevar sobre os montes e colinas. Ele não tinha razão para ficar com medo, pois havia contemplado antecipadamente o Dilúvio — pela fé — e se preparado para ele. “Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca” (Hebreus 11.7). Agostinho relatou uma história muito interessante e memorável a respeito de Paulinus, o bispo de Nola, que era muito rico tanto em graça como em bens. Paulinus tinha muitas coisas do mundo em suas mãos, mas pouco destas coisas em seu coração. E tudo estaria bem, se não fosse pelo fato de que os godos, um povo bárbaro, invadiram a cidade, como demônios, e arremeteram-se contra a sua presa. Aqueles que confiavam em seus tesouros se enganaram e foram arruinados por tais tesouros, pois os ricos foram expostos à tortura, a fim de confessarem onde haviam escondido seu dinheiro. Este amável bispo caiu nas mãos dos godos, perdendo tudo o que possuía, mas não se abateu por causa da perda, como transparece de sua oração, que Agostinho citou: “Senhor, não permita que eu fique atribulado por causa de meu ouro e minha prata. Tu sabes que este não é o tesouro que tenho acumulado no céu, de acordo com o teu mandamento. Fui advertido sobre este julgamento, antes que viesse, e me preparei para ele. E tu, Senhor, sabes onde se encontra todo o meu interesse”. Assim também agiu o Sr. Bradford, quando um homem veio apressado ao seu quarto e, repentinamente, lhe transmitiu palavras capazes de fazer tremer a maioria dos homens do mundo: “Ó Sr. Bradford, eu lhe trago notícias desastrosas: você será queimado amanhã; e estão sendo compradas as correntes que o prenderão!” O Sr. Bradford retirou o chapéu e disse: “Senhor, eu te agradeço. Há muito tempo espero por isto. Não é terrível para mim. Ó Deus, torna-me digno dessa misericórdia”. Veja os benefícios de uma antecipação e preparação para tais sofrimentos!

4. A incredulidade nos leva a tomarmos sob nossa responsabilidade os nossos mais caros interesses e preocupações; ela não entrega nada aos cuidados de Deus, e, conseqüentemente, quando perigos iminentes nos ameaçam, enche o nosso coração com temores que nos distraem. Leitor, se este é o seu caso, você ficará cercado por terrores, sempre que perigos e dificuldades lhe sobrevierem. Aqueles que reconhecem este fato, bem como muitos outros, têm a vantagem de que, pela fé, entregam a Deus tudo que é importante e valioso. Eles têm confiado a Deus o cuidado de sua alma e seus interesses eternos. E, visto que estas coisas estão em mãos seguras, tais pessoas não se distraem com temores referentes a outros assuntos de menor importância, mas também podem confiar a Deus tais assuntos, desfrutando assim da quietude e paz de uma alma rendida a Ele. E, quanto a você, leitor, a sua vida, a sua liberdade e a sua alma, que é infinitamente mais importante do que todas estas coisas, estarão sob a sua responsabilidade, no dia de aflição, e você não saberá o que fazer com elas, nem como lidará com elas. Oh! estes são os terríveis medos e dificuldades nos quais a incredulidade lança os homens! A incredulidade é uma fonte de temores e aflições. De fato, ela distrai e confunde os incrédulos, nos quais reina e se manifesta com pleno vigor. Experiências desagradáveis nos mostram que os resquícios deste pecado produzem temores e tremores até nos melhores homens que não estão completamente libertos dele. Se em tais homens os resquícios não expurgados da incredulidade podem obscurecer e ocultar suas evidências, esses mesmos resquícios podem igualmente aumentar e multiplicar os seus perigos. Se a incredulidade é capaz de produzir essas infelizes e terríveis conclusões no coração desses homens respeitáveis, que temores terríveis e medos incontroláveis a incredulidade pode causar em homens que estão sob o seu domínio e em pleno vigor?



Que a incredulidade não encontre repouso em nossos corações e que vivamos sempre pela fé em nosso Senhor e Salvador Jesus.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Quando a rainha passa...


Imagem extraída do site da Amazon

Apesar da postagem de hoje ser longa, vale cada palavra lida! O conto com o título original "When Queens Ride By" foi escrito pela escritora norte americana Agnes Sligh Turnbull em 1932, e é uma das histórias mais simples e ao mesmo tempo mais tocante que já li ao longo dos meus vinte e oito anos.

O texto foi extraído do blog Lilleys of the Field e a tradução foi feita automaticamente pelo Google Tradutor. Há poucas revisões feitas por mim, pois não entendo muito o inglês, por isso peço sua compreensão se alguma palavrinha estiver meio desajustada. 


Extraído do site Kings Art Line via Google Images

Jennie Musgrave acordou com o toque estridente do despertador, como sempre acordava - com o jeito estremecido e uma percepção difícil de que a breve pausa de sono da noite havia acabado. Ela só teve tempo de olhar através da luz fraca para a sala desordenada e empoeirada, antes que a voz de John estivesse dizendo sonolenta, como ele dizia todas as manhãs: "Tudo bem, vamos lá. Nem parece que estávamos na cama!”. Jennie se vestiu rapidamente com as roupas, nenhuma muito limpa, que, exausta, ela havia retirado na noite anterior. Ela se apressou pelas escadas dos fundos, com seus sapatos grossos batendo com força nas tábuas do chão. Ela acendeu o fogo do fogão e fez apressadamente o café da manhã e tentou lavar uma bacia na pia. John atravessou a cozinha e foi para o celeiro. Havia seis vacas a serem ordenhadas e as grandes latas de leite a serem levadas para a estação para o trem que passa pela manhã. Jennie colocou café e bacon no fogão, e depois, pegando um balde da varanda, foi atrás de John. O raio de sol vermelho dourado quebrou o azul enevoado da manhã sobre o pasto de vacas. Uma fragrância doce e perfumada soprou do pomar. Mas Jennie não viu nem sentiu a beleza em tudo ao seu redor. Ela olhou para o sol e pensou: “Vai ser um dia quente”. Ela olhou para o pomar e franziu as sobrancelhas. Lá estava pendurada toda essa fruta. Os alqueires serão desperdiçados. Talvez ela conseguisse tempo naquele dia para fazer mais manteiga de maçã. Mas os tomates não esperariam. Ela deve pegá-los e levá-los para a cidade hoje, ou isso seria uma perda mortal. Depois de todo o seu trabalho, bem, seria apenas uma peça com todo o resto se isso acontecesse. Ela e John tiveram má sorte, e eles poderiam muito bem decidir isso. Ela terminou sua parte da ordenha e correu de volta para o bacon cozido e café forte. As crianças estavam desanimadas, clamorosas, sujas, sempre sob os pés. Jim, o mais velho, estava em seu primeiro período escolar. Ela olhou para o short manchado dele. Ele deveria ter um limpo. Mas ela não pôde evitar. Ela não conseguiu lavar a roupa na semana passada, e quando ela não sabia quando teria um dia esta semana, com toda a colheita e as viagens para a cidade para fazer! O café da manhã era apressado e intragável, uma espécie de concessão rancorosa às exigências do corpo. Então John foi embora na carroça de leite para a estação, e Jennie embalou a cesta de almoço do pequeno Jim com pão e manteiga de maçã e torta, deixou as duas crianças pequenas no quintal e foi em direção ao celeiro. Não havia tempo para fazer nada na casa. As galinhas e perus tiveram que ser cuidados, e depois ela deveria chegar ao canteiro de tomates antes que o sol ficasse quente demais. Atrás dela estava o pomar com suas fileiras e fileiras de macieiras carregadas. Talvez esta tarde - talvez amanhã de manhã. Havia também as batatas para serem colhidas. Trabalho muito duro para uma mulher. Mas o que ela ia fazer? Morrer de fome? John trabalhou até escurecer nos campos. Ela empurrou o cabelo para trás com um rápido movimento brusco e continuou espalhando o grão pelas aves. Lembrou-se de seus planos ansiosos quando se casaram, quando assumiram a velha fazenda - carregada de sua pesada hipoteca - que fora do pai de John. John era tão sincero naquela época e tão alegre. Apenas sete anos, mas agora ele estava um pouco encurvado, e suas sobrancelhas estavam sempre puxadas, como se para esconder um olhar de fracasso envergonhado. Eles planejaram ter uma fazenda modelo um dia: estoque cheio, um trator, um novo celeiro. E então de tal casa eles fariam uma velha casa de pedra! As esperanças de Jennie tinham aumentado ainda mais que as de John. Um tapete para a sala, um conjunto estofado - catálogo de pedidos, linóleo para a cozinha, lâmpadas elétricas! Eles eram jovens e, oh, tão fortes! Não havia nada que não pudessem fazer se trabalhassem apenas o suficiente. Mas essa grande fé diminuiu quando o primeiro ano passou. John trabalhou cada vez mais tarde à noite. Jennie levou mais e mais das tarefas pesadas sobre seus próprios ombros. Ela costumava pensar com algum orgulho que nenhuma mulher do interior jamais ajudou seu marido. Mesmo com a roca de fiar e montando o ceifeiro. Trabalho duro e rude, mas ela estava feliz em fazer isso pelo bem de John. O triste enigma de tudo era que no final de cada ano eles não estavam mais progredindo. A única diferença do ano anterior era outro parafuso de janela pendurado em uma dobradiça e outro vagão quebrado no curral que John nunca teve tempo de consertar. Eles se intrigaram por causa de uma vaga angústia. E enquanto isso a vida degenerou em uma luta difícil e sem esperança. Às vezes ultimamente John parecia um pouco indiferente, como se nada importasse. Um pouco amargo quando falava de Henry Davis. Henry realizou a hipoteca e esperou um pagamento sobre o início deste ano. Ele veio uma vez até a fazenda e olhou em volta com algo muito parecido com um sorriso de escárnio no rosto. Se ele decidir um dia encerrar a hipoteca - esse seria o golpe final. Eles nunca se levantariam depois disso. Se John não pudesse segurar a antiga fazenda, nunca poderia tentar comprar uma nova. Isso significaria ser locatários por toda a vida. Pobres locatários! Ela foi para o campo de tomate. Tinha sido ideia dela fazer rondas junto com as plantações agrícolas regulares. Mas, como tudo mais, fracassou em suas expectativas. Quando ela colocou os tomates vermelhos, apenas um pouco maduros, na cesta, ela olhou apertando seus lábios em direção a uma pausa nas árvores a 800 metros de distância, onde um pedaço escuro pegava o sol. Em toda a sua superfície polida, brilhava uma interminável procissão de objetos brilhantes e móveis. Era a rodovia estadual. Jennie odiava isso. Em primeiro lugar, era tangivelmente próximo e ainda tão desesperadamente longe deles. Se só andasse pela porta deles, como fazia o passado de Henry Davis, por exemplo, resolveria todo o problema de comercializar as frutas e verduras. Então eles poderiam colocar as cestas no gramado, e as pessoas poderiam parar por elas. Mas como era, ninguém durante todo o verão prestou a menor atenção ao sinal que John colocara no fim da pista. E não é de admirar. Por que os viajantes deveriam dirigir seus carros pelo caminho pedregoso do campo, quando um pouco mais adiante eles encontrariam a mesma fruta espalhada tentadoramente para eles na beira da estrada? Mas havia outro motivo pelo qual ela odiava aquela pequena estrada elegante aparecendo entre as árvores. Ela odiava porque isso a machucava com suas sugestões de tudo que a passava naquela interminável procissão cintilando ao sol. Ali continuavam, dia após dia, aquelas mulheres felizes e despreocupadas, desfilando em lindas limusines. Alguns em carros mais simples, também, mas mesmo aquelas, como as outras, eram mulheres que podiam descansar e sentir prazer, consolar-se. Elas foram andando hora a hora para novos prazeres, enquanto ela foi ponderada para o trabalho penoso da fazenda como uma das grandes pedras no campo de pasto. E - o mais amargo pensamento de todos - elas tinham belos lares para quando a feliz jornada terminava. Essa parecia ser a lei estranha e cruel sobre as casas. Quanto mais finos eles eram, mais fácil era deixá-los. Agora com ela - se ela tivesse o tapete para a sala de estar e os móveis de pelúcia e linóleo para a cozinha, ela não deveria se importar tanto com isso; ela não tinha nada, nada além de um trabalho duro e má sorte. E a estrada a insultou com isso. Arremessou seus prazeres impossíveis em seu rosto enquanto se inclinava sobre as trepadeiras ou arrastava as pesadas cestas pelas fileiras do campo. O sol ficou mais quente. Jennie colocou mais força em sua tarefa. Ela sabia, finalmente, pelo calor escaldante, que estava chegando ao meio-dia. Ela deve ter almoço pronto para John quando ele entrara. Não havia tempo para preparar muito. Bastava reaquecer o café e pôr um pouco de pão e torta no prato. Ela começou a andar em direção à casa, fazendo uma longa chamada para as crianças enquanto ia. Eles surgiram do pomar, desanimados e machucados por causa do trabalho na cerca de arame. Seu coração a sufocou ao vê-los daquele jeito. Entre os outros sonhos que os anos haviam esmagado estavam os de meninos e meninas com bochechas rosadas, esbanjando saúde, ​​em trajes limpos e vestidos de babados frescos. Porém, as crianças tinham acabado de crescer como ervas daninhas da fazenda. Essa era a parte de todo o trabalho penoso que mais magoava. Que ela não tinha tempo para cuidar de seus filhos, costurar suas roupas, ensinar-lhes coisas que as outras crianças sabiam. Às vezes parecia que ela não tinha nenhum amor real por eles. Ela estava muito cansada para ter algum sentimento. As únicas vezes que ela usou energia para conversar com eles foi quando teve que reprová-los por algum delito cometido. Isso estava tudo errado. Parecia malvado; mas como ela poderia ajudar? Com o trabalho drenando a própria vida dela, forte como ela era. John entrou pela porta muito cansado e eles comeram em silêncio, exceto pela conversa das crianças. John mal olhou para o seu prato. Ele tomou grandes goles do café aquecido e depois empurrou a cadeira para trás apressadamente. "Eu vou tentar terminar a grade no campo sul". "Estou no tomate", respondeu Jennie. "Eu os tenho escolhidos e prontos para levar". E isso foi tudo. O trabalho foi novamente sobre eles. Eram duas horas ao sol e Jennie carregara a última cesta pesada de tomates no vagão de leite em que devia dirigir para a cidade, quando ouviu vozes agudas soando ao longo do caminho. As crianças estavam voando em emoção para ela. "Mamã! Mamã! Mamã!" Eles gritaram enquanto vinham ofegantes até ela com olhos grandes e surpresos. "Mãe, há uma senhora lá em cima. Na porta da cozinha. Toda vestida. Uma moça bonita. Ela quer ver você". Jennie olhou, incrédula, para eles. Uma dama, uma moça bonita na porta da cozinha? Toda bem vestida! O que isso poderia significar! Seria possível que alguém tivesse finalmente enfrentado a estrada pedregosa para comprar frutas? Talvez alqueires disso! "Ela veio em um carro?" Jennie perguntou rapidamente. "Não, ela acabou de entrar. Ela é muito bonita. Ela sorriu para nós". As esperanças de Jennie diminuíram. Claro. Ela poderia saber. Algum agente provavelmente, vendendo livros. Ela seguiu as crianças cansadas pelo caminho e entrou pela porta dos fundos da cozinha. Do outro lado, outra porta se abria para o pátio lateral. Aqui estava o estranho. As duas mulheres se olharam do outro lado da cozinha, do outro lado da mesa, com os restos de duas refeições, as cadeiras espalhadas, o fogão cheio de lixo - em toda aquela cena de desagradável desordem. Eles se entreolharam em uma surpresa assustada, como os habitantes da Terra e de Marte poderiam parecer se fossem subitamente trazidos cara-a-cara. Jennie viu uma mulher com um casaco cinza de tweed (casaco de lã) que parecia ser parte de seu corpo magro e elegante. Um pequeno chapéu cinza com uma pena de rosa sobre o cabelo acastanhado. Seus olhos azuis estavam claros e sorridentes. Ela era bonita! E ainda assim ela não era jovem. Ela estava em seus quarenta anos, com certeza. Mas uma aura jovem se agarrava a ela, um frescor limpo e requintado. A estranha, por sua vez, olhou para uma jovem, abatida e cansada. Seu cabelo amarelado pendia em mechas dispersas. Seus olhos pareciam duros e cansados. Suas bochechas eram finas e pálidas. Seu vestido de chita era disforme e sujo de seu trabalho. Então, eles se entreolharam por um longo segundo avaliador. Então a mulher de cinza sorriu. "Como vai você?". Ela começou. "Levamos nosso carro até a sombra da sua pista para almoçar e descansar um pouco. E subi para comprar algumas maçãs, se você as tiver."  Jennie ficou olhando para a estranha. Havia uma hostilidade inconsciente em seus olhos. Essa era uma das mulheres da estrada. Uma daquelas invejadas que passavam brilhando através do sol de verão, andando de prazer em prazer, enquanto Jennie passava a mão na massa. Mas o sorriso da moça bonita estava se desarmando. Jennie foi em direção a uma cadeira e tirou o velho casaco e avental que estava sobre ela. "Você não vai se sentar?" ela disse educadamente. "Eu vou pegar as maçãs. Vou ter que pegá-las na árvore. Você prefere rambos?". "Eu não sei o que eles são, mas eles soam deliciosos. Você deve escolhê-los por mim. Mas, não posso ir com você? Eu deveria amar ajudar a escolhê-los."  Jennie considerou. Sentia-se perplexa com a simpatia do rosto da outra mulher e totalmente incapaz de enfrentá-lo. Mas, ela não sabia como recusar. "Eu acho que sim. Se você conseguir atravessar a sujeira". Ela conduziu o caminho pela varanda dos fundos com seus cestos lotados e baldes de carvão, ao longo do caminho descampado em direção ao pomar. Ela nunca tinha sido tão consciente da desordem sobre ela. Agora a vergonha trouxe um nó em sua garganta. Em sua pressa preocupada diariamente, ela na verdade nunca tinha notado aquela cuba de latas de leite viradas e pilhas de lixo! Ela viu tudo agora rapidamente através dos olhos da outra mulher. E então essa nova perspectiva foi verificada por um amargo desafio. Por que ela deveria se importar como as coisas pareciam para essa mulher? Ela iria embora, acelerando pela estrada em poucos minutos, como se nunca tivesse estado lá. Ela chegou ao pomar e começou a arrastar uma longa escada da cerca para a árvore de rambo. A outra mulher gritou em aflição. "Oh, mas você não pode fazer isso! Você não deve. É muito pesado para você, ou mesmo para nós duas. Por favor, deixe-me escolher alguns do chão". Jennie olhou surpresa com a preocupação da estranha. Fazia tanto tempo desde que ela tinha visto algo parecido. "Pesado?" ela repetiu. "Esta escada? Eu gostaria de nunca ter levantado nada mais pesado do que isso. Depois de colocar cestos de tomates em uma carroça, isso parece leve para mim" . A estranha pegou o braço dela e disse: "Mas - mas você acha que é certo? Porque, esse é o trabalho de um homem". Os olhos de Jennie brilharam. Algo furioso saiu de dentro dela. "Certo! Quem é você para me perguntar se estou certo ou não? O que seria de nós se eu não fizesse o trabalho de um homem? Se nós dois não trabalharmos, então nós não chegamos a lugar nenhum. Uma pessoa como você não sabe o que é trabalho! Você não sabe...” A voz de Jennie era alta e histérica, mas os tons baixos da estranha de algum modo irromperam: “Ouça” - ela disse suavemente – “Por favor, me escute. Me desculpe por ter te incomodado dizendo isso, mas agora, já que estamos conversando, por que não podemos nos sentar aqui e descansar um minuto? É tão legal e adorável aqui embaixo das árvores, e se você me dissesse tudo sobre isso - porque eu sou apenas uma estranha - talvez isso ajudasse”.  "Descanse! Eu me sento para descansar, e a carroça carregada para ir para a cidade? Vou me apressar agora para voltar antes de escurecer". E então algo estranho aconteceu. A mulher colocou a mão fria e macia no braço sujo de Jennie. Havia uma ternura convincente em seus olhos. "Basta ter o tempo que você gastaria colhendo maçãs. Eu preferiria tanto. E talvez de alguma forma eu pudesse ajudá-la. Eu gostaria de poder ajudar. Você não vai me dizer por que você tem que trabalhar tanto?". Jennie se afundou na grama verde lisa. Seus olhos cansados e sem vontade haviam cedido a algum poder nos olhos claros e serenos da estranha. Uma espécie de exaustão tomou conta dela. Uma reação trêmula do esforço de semanas. "Não há muito o que contar", ela disse meio tímida, "só que não estamos adiantados. Estamos completamente desanimados, ambos de nós. Henry Davis está falando sobre a execução de nossa casa se não pagarmos algum valor. O tempo da hipoteca é para este ano, e talvez não o renove. Ele mesmo tem bastante, mas é do tipo mais difícil”. Ela fez uma pausa; então seus olhos brilharam. "E não é que eu não tenha feito a minha parte. Olhe para mim. Eu mal tenho trinta anos, e eu aparento ter cinquenta anos. Estou tão espancada pelo tempo. Foi assim que trabalhei!". "E você acha que isso ajudou o seu marido?". "Ajudou-o?". A voz de Jennie era afiada. "Por que não deveria ajudá-lo?". A estranha estava desviando o olhar pelos trechos verdes do pomar. Ela juntou as mãos finas sobre os joelhos. E falou devagar. "Os homens são coisas esquisitas, especialmente os maridos. Às vezes nos enganamos quando nos esforçamos mais para atendê-los. Por exemplo, eles querem que sejamos econômicas e, no entanto, eles nos querem em roupas bonitas. Eles precisam do nosso trabalho e querem que mantenhamos nossa juventude e nossa beleza. E às vezes eles não sabem o que eles realmente querem mais. Então nós temos que escolher. Isso é o que torna tudo tão difícil".  Ela fez uma pausa. Jennie a observava com uma certa curiosidade, como se estivesse falando uma língua estrangeira. Então a estranha continuou: “Eu tive que escolher uma vez, muito tempo atrás; logo depois que nos casamos, meu marido decidiu ter seu próprio negócio, então ele começou um negócio muito pequeno. Ele não podia pagar um ajudante, e ele queria que eu ficasse no escritório enquanto ele vendia fora. E eu recusei, mesmo que isso o machucasse. Oh, foi difícil! Mas eu sabia como seria se eu fizesse o que ele desejava. Nós dois teríamos voltado todas as noites. Cansados, para uma casa escura, triste e um jantar arranjado. E em um ano isso poderia tirar alguma coisa de nós - algo precioso. Eu não podia arriscar, então eu recusei e fiquei assim. E então, eu trabalhei em minha casa - um apartamento na época. Eu tinha tão pouco fora de nossos presentes de casamento; mas pelo menos eu poderia torná-lo um lugar limpo, brilhante e feliz. Eu tentei dar aos nossos pequenos jantares muita graça". E conforme os meses se passaram, eu sabia que tinha feito o certo. Meu marido chegava em casa muito cansado e desanimado, pronto para desistir do trabalho. Mas depois que ele tinha jantado e sentado em nosso pequeno e arrumado quarto, e eu tinha lido para ele ou contado todas as coisas engraçadas que eu poderia ter feito no meu dia, eu podia vê-lo mudar. Na hora de dormir ele teve sua coragem de volta, e pela manhã ele estava finalmente pronto para sair e lutar novamente. E, finalmente, ele venceu e conquistou seu sucesso sozinho, como um homem gosta de fazer”. Ainda assim, Jennie não falava. Ela apenas considerou a estranha com uma compreensão meio ressentida. A mulher de cinza olhou novamente entre as árvores. Sua voz era muito doce. Um sorrisinho bem-humorado brincou em seus lábios. "Houve uma rainha uma vez", continuou ela, "que reinou em dias turbulentos. E toda vez que o país estava à beira da guerra e as pessoas prontas para entrar em pânico, ela vestia seu vestido mais vistoso e a levava. E quando as pessoas a viram passeando, aparentemente tão alegre e feliz, elas tinham certeza de que tudo estava bem com o governo. Então ela cuidou e evitou muitos perigos e eu tentei ser como ela. Sempre que uma grande crise vem no negócio do meu marido - e nós tivemos vários - ou quando ele está desanimado, eu coloco meu vestido mais bonito e preparo o melhor jantar que eu sei ou dou uma festa! E de alguma forma parece que funciona. Essa é a parte da mulher, você sabe... Precisamos bancar a rainha...” Uma fraca buzina veio da pista. A estranha começou a se levantar. "Esse é o meu marido. Eu tenho que ir. Por favor, não se preocupe com as maçãs. Eu só vou tirar estas debaixo da árvore. Nós só queríamos duas ou três, na verdade. E dê isso para as crianças." Ela colocou duas moedas na mão de Jennie. Jennie também se levantara e estava tentando, por causa de uma confusão de pensamentos assustados, escolher algo para falar. Em vez disso, ela só respondeu à outra mulher. Ela observou a figura ereta e ágil da estranha se afastando rapidamente pelo caminho que levava diretamente à pista. Então ela virou as costas para a casa, imaginando aturdida se só sonhara que a outra mulher estivesse ali. Mas não, havia emoções subindo nela que eram novas. Essas não tinham lugar nela uma hora antes. Elas se levantaram com as palavras da estranha e com a visão de seu cabelo liso e macio, a cor fresca em suas bochechas, o brilho feliz de seus olhos. Uma grande onda de saudade tomou conta de Jennie, um desejo que se perdeu em desespero sufocante. Era como se pensasse que ela ouvira uma variedade de música pela qual esperara a vida toda e depois sentiu-se levada ao silêncio antes de compreender sua beleza. Por alguns breves minutos, ela, Jennie Musgrave, sentou-se ao lado de uma das mulheres da rodovia e pegou um sopro de sua vida - aquela vida que sempre brilhava naquela estrada, como os acontecimentos de um conto de fadas. Então ela se foi, e Jennie foi deixada como estava, presa ao solo como uma das pedras do campo. A amargura que invadia seu coração agora era diferente do velho desalento. Pois foi acoplada com novos conhecimentos. As palavras da estranha pareciam mais vivas para ela do que quando ela estava sentada ouvindo no pomar. Mas, elas voltaram para ela com a dor da agonia. "Tudo muito bem para ela falar tão bem comigo sobre o trabalho do homem e o trabalho da mulher! E o que ela fez pelo grande sucesso do marido. Fácil o suficiente para ela se sentar falando sobre rainhas! O que ela faria se estivesse aqui nesta fazenda como eu? O que uma mulher como ela faria?" Jennie tinha chegado à porta da cozinha e ficou ali olhando para o tumulto desesperado sobre ela. Suas palavras soaram estranhas e vazias no silêncio da casa. "Fácil para ela!" ela explodiu. Ela nunca teve o trabalho de uma fazendo sobre ela como eu tenho feito. Ela nunca sentiu em sua garganta um nó, o mesmo que John e eu sentimos. Falar sobre escolhas! Eu não tenho escolha. Eu só tenho que continuar trabalhando, como sempre tenho feito”. Ela parou de repente. Lá no meio do chão da cozinha, onde a outra mulher havia passado, havia um pequeno lenço branco. Jennie atravessou rapidamente e pegou. Uma leve fragrância deliciosa como o sonho de uma flor veio dela. Jennie inalou ansiosamente. Não era como qualquer odor que ela já tivesse conhecido. Isso a fez pensar em coisas doces e estranhas. Coisas que ela nunca tinha pensado antes. De jardins no início do crepúsculo de verão, de amplos e justos quartos com o luar brilhando neles. Isso a fez de alguma forma pensar com uma vaga melancolia de tudo isso. Ela olhou atentamente para o pequeno quadrado. O lenço era fino e macio. No canto, uma delicada borboleta azul abriu as asas. Jennie deu outro longo suspiro. A fragrância encheu seus sentidos novamente. Ficaria por um tempo ali, pelo menos. Ela colocou o lenço com cuidado na beira da mesa e foi até a pia, onde lavou as mãos com cuidado. Ela voltou e pegou o lenço novamente com algo como reverência. Ela sentou-se, ainda segurando, olhando para ele. Este pedaço de linho era para ela uma voz articulada. Ela entendeu sua linguagem. Falava-lhe de roupas brancas e recém-lavadas que sopravam ao sol, de um ferro movendo-se suavemente, sem pressa, acompanhando uma canção sobre suas dobras; falava-lhe de quartos silenciosos e arrumados, relógios e lâmpadas acesas a noite; falou-lhe de toda a rotina pacífica de uma casa bem administrada, do tipo que uma vez sonhara em ter. Mas, mais do que isso, a delicadeza requintada do perfume doce e sedutor falou-lhe de algo mais que seu coração entendia, mesmo que seu discurso não tivesse encontrado palavras para ele. Ela podia sentir a delicadeza, a graça, a beleza que compunha a vida da outra mulher em todas as suas relações. Ela, Jennie, não tinha nada disso. Tudo sobre suas vidas, a dela e a de John, estava encardido, sujo de alguma forma pela mão-de-obra que anda arrastada e sem fim e por longos dias. Jennie se inclinou para a frente, os braços esticados diante dela sobre os joelhos, as mãos apertadas sobre o lenço branco. Supondo que ela tentasse fazer o que o estranho dissera. Supondo que ela passasse o tempo na casa e deixasse o trabalho externo um pouco de lado. O que aconteceria então? O que João diria? Estariam eles muito mais atrasados ​​do que estavam agora? Eles poderiam fazer isso? E suponha que, por alguma estranha chance, a outra mulher estivesse certa! Que um homem poderia ser ajudado mais por fazer essas outras coisas que ela havia negligenciado? Ela ficou muito quieta, angustiada, incerta. No celeiro esperavam a carroça de tomates, maduros agora para ir ao mercado. Não, ela não podia fazer nada hoje, pelo menos, mas deveria continuar como de costume. Então suas mãos se abriram um pouco; o perfume dentro de suas mãos aproximou-se dela, trazendo novamente aquela emoção de coisas doces e indescritíveis. Ela começou meio atemorizada com sua própria determinação: "Eu vou tentar agora. Talvez eu seja louca, mas vou fazê-lo de qualquer maneira!" Fazia muito tempo desde que Jennie tinha arrumando o banheiro de forma tão meticulosa. Fazia anos desde que ela havia escovado seu cabelo. Um penteado apressado fora o melhor tratamento. Ela vestiu um vestido limpo, um escuro reservado para viagens à cidade. Ela até mudou os seus sapatos pesados ​​e disformes para seus melhores sapatos. Então, quando ela se olhou no espelho empoeirado, viu que estava trocada. Algo, pelo menos, do duro e desfigurado tinha desaparecido de seu rosto, e seu cabelo emoldurava-o com doce suavidade. Amanhã ela iria lavá-lo. Ela foi para a cozinha. Com um zelo ardente, ela atacou e limpou toda aquela confusão diante dela. Às quatro e meia, o quarto estava limpo: o chão estava varrido, o fogão brilhava, pratos e panelas lavados e colocados em seus lugares. Das profundezas caídas de uma gaveta, Jennie extraíra uma toalha de mesa branca que fora comprada nos primeiros dias de casamento. Com um espírito de ousadia imprudente, ela a espalhou sobre a mesa. Ela poliu a chaminé da grande lamparina a óleo e depois fixou a luminária, limpa e brilhante, no centro do tecido branco. Agora está na hora do jantar! E ela deve se apressar. Ela planejava tê-lo às seis horas e tocar o grande sino para John quinze minutos antes, como costumava fazer depois de se casarem. Ela decidiu comer presunto frito e batatas douradas e compota de maçã com biscoitos quentes. Ela não os fazia há tanto tempo, mas seus dedos se dispuseram em sua antiga habilidade. Ora, cozinhar era apenas uma brincadeira se você tivesse tempo para fazer o certo! Então ela pensou nos tomates e estremeceu um pouco. Ela pensou nas longas horas de trabalho árduo que havia colocado sobre esses tomates e chamou a si mesma de boba por ter sido influenciada pelas palavras de uma estranha e pelo cheiro de um lenço, por negligenciar seu trabalho legítimo e trazer mais perdas a John e a ela mesma. Mas ela continuou, fazendo as bolachas, virando o presunto, arrumando a mesa. Eram cinco e meia; a primeira panela fora retirada do forno, os rostinhos e as mãos das crianças tinham sido lavados e as perguntas cheias de empolgação foram satisfeitas, quando de repente surge o som de um carro que vinha da curva. Jennie conhecia aquele carro. Pertencia a Henry Davis. Ele poderia estar vindo para apenas uma coisa: O golpe que eles temiam, defendendo-se com cega descrença no desastre final, estava prestes a cair. Henry estava vindo para lhes dizer que ele iria encerrar o acordo. Isso quase mataria John. Esta era a antiga fazenda do pai dele. John havia assumido, hipoteca e tudo, por isso, com tanta certeza, ele poderia ter sucesso onde seu pai havia falhado. Se ele tivesse que sair agora, haveria uma dupla desgraça para suportar. E para onde eles poderiam ir? Fazendas não eram tão abundantes. Henry foi até o portão lateral. Ele se atrapalhou com alguns papéis no bolso interno quando começou a andar. Um terror amedrontador encheu o coração de Jennie. Ela queria desesperadamente evitar encontrar o rosto aguçado e duro de Henry Davis, fugir para algum lugar, antes de ouvir as palavras que os condenavam. Então, quando ela ficou abalada, imaginando como poderia viver o que as próximas horas trariam, viu em um flash a bela estranha sentada no pomar, olhando entre as árvores e sorrindo para si mesma, dizendo: "Houve uma vez uma rainha..." Jennie ouviu as palavras de novo distintamente assim que os passos de Henry Davis soaram bem mais perto na caminhada do lado de fora. Havia apenas uma imagem confusa de uma rainha usando o adorável rosto de uma estranha, montando alegremente seu cavalo pelas florestas e cidades enquanto seu reino estava cambaleando. Cavalgando galantemente, apesar de seus medos. O coração de Jennie estava batendo e suas mãos estavam subitamente frias. Mas algo irreal e ainda irresistível a estava varrendo. "Houve uma vez uma rainha." Ela abriu a porta de tela antes que Henry Davis tivesse tempo de bater. Ela estendeu a mão cordialmente. Ela estava sorrindo. "Bem, como vai, Sr. Davis? Entre! Estou muito feliz em vê-lo. Já faz um bom tempo desde que você esteve aqui". Henry pareceu surpreso e muito envergonhado. "Por que... Não... Agora eu não vou entrar. Eu só parei para conversar com John uma pequena questão de negócios. Eu só...". "Em breve você vai conversar com ele. John estará em casa. Alguns minutos e você pode conversar enquanto come, os dois. Eu preparei o jantar e já está pronto. Agora vá para a direita, Sr. Davis!” Quando Jennie se afastou, um aroma quente e fragrante de presunto e biscoitos fritos pareceu flutuar nas narinas de Henry Davis. Havia um amolecimento visível de suas feições. "Por que, não, eu não estava contando com isso. Eu vim apenas falar com John e então ir embora". "Eles vão te ver em casa quando você chegar lá", Jennie colocou rapidamente. "Você nunca provou meus biscoitos quentes com manteiga...”. Henry Davis entrou e sentou-se na cozinha grande, limpa e quente. Seus olhos examinaram cada detalhe da sala ordenada: o pano limpo, a lâmpada brilhante, a pia bem arrumada, o fogão brilhante. Jennie o viu relaxar confortavelmente em sua cadeira. Então, acima dos aromas da comida, ela detectou a doçura estranha do pedaço de linho branco que ela havia guardado no colo de seu vestido. Ela olhou para ela como uma sensação assombrosa de seu poder como mulher. Ela sorriu para Henry Davis. Sorriu como ela nunca teria pensado em fazer um dia atrás. Então ela teria falado com ele com uma cara desenhada cheia de medo subserviente. Agora, embora o medo agarrasse seu coração, seus lábios sorriam docemente, movidos pela irrealidade que parecia possuí-la. "Houve uma vez uma rainha.". "E como vão as coisas com você, Sr. Davis?" ela perguntou com um reflexo alegre e ascendente. Henry Davis não era muito humano. Ele nunca tinha notado antes que o cabelo de Jennie era tão espesso e bonito e que ela tinha modos tão agradáveis. Nem sonhara que ela era uma cozinheira tão boa quanto a visão e o aroma do jantar que as coisas indicariam. Ele estava muito confortável lá na grande cozinha de cheiro agradável. Ele sorriu de volta. Foi uma experiência interessante da parte de Henry, porque seus sorrisos eram raros. "Oh, mais ou menos. Como vão as coisas estão com você?" Jennie aprendera a falar a verdade; mas neste momento surgiu em sua mente uma compreensão vaga de que as altas lealdades da vida são, afinal, relativas e não absolutas. Ela sorriu novamente enquanto habilmente virou uma grande fatia de presunto marrom dourado na frigideira. "Por aqui, ótimo, sr. Davis. Estamos indo muito bem, John e eu. Tem sido duro, mas acho que o pior já passou. Acho que vamos sair agora e vamos nos orgulhar de pagar essa hipoteca tão rápido, em apenas mais um ano, que você ficará surpreso!” Foi dito. Jennie se maravilhou de que as palavras não a tivessem sufocado, de alguma forma não a tinha ferido quando as pronunciou. Mas o efeito deles sobre Henry Davis foi incrivelmente bom. "Está indo bem assim?" ele perguntou surpreso. "Bom, agora, tudo bem. Eu sempre quis ver John fazer sucesso neste lugar antigo, mas de alguma forma - bem, você sabe que não parecia ser assim - isto é, tem havido alguma conversa por aí que talvez John não estivesse bem de ficar com a fazenda - você sabe. Um homem tem que observar seus investimentos. Bem, agora, estou feliz que as coisas estão aumentando um pouco”. Jennie sentiu como se uma mão apertada em sua garganta tivesse relaxado. Ela falava brilhantemente do clima de outono e das plantações enquanto terminava de colocar os pratos na mesa e tocava o grande sino para John. Havia um trabalho delicado ainda a ser feito quando ele entrou. O pequeno Jim, seu filho, tinha que ser enviado para apressá-lo antes que ele finalmente aparecesse. Ele era um grande homem, John Musgrave, grande, longânime e sério. Ele não conhecera nada durante toda a sua vida, a não ser um duro trabalho braçal. Ele havia colocado seu grande corpo contra todas as forças adversas da natureza. Houve um tempo em que ele sentiu que forças como as dele eram necessárias para trazer-lhe fortuna. Agora ele não tinha tanta certeza. O brilho daquela fé foi ofuscado pela experiência. John chegou à porta da cozinha com as sobrancelhas franzidas. O pequeno Jim dissera a John que Henry Davis estava lá. Ele entrou na sala como quando um homem acusado enfrenta o júri, enfrenta os homens que, embora com a mesma carne e sangue que ele, ainda estão de alguma forma curiosamente em posição de salvá-lo ou destruí-lo. John entrou, e então parou, olhando fixamente para a cena diante dele. Em Jennie movendo-se sobre a mesa brilhante, conversando alegremente com Henry Davis! No próprio Henry, suas feições afiadas suavizaram-se com um ar de grande satisfação. Henry ficou para o jantar! Mas as profundezas silenciosas da natureza de John o serviram bem. Ele não fez nenhum comentário. Apenas apertou a mão de Henry Davis e depois lavou o rosto na pia. Jennie arrumou os pratos salgados e eles se sentaram para jantar. Foi uma experiência inteiramente nova para John sentar-se à frente de sua própria mesa e servir um prato generosamente amontoado a Henry Davis. Isso deu a ele uma forte sensação de suficiência, de igualdade. Ele percebeu como antes se encolhia em sua alma ao ver esse homem. Henry consumiu oito biscoitos ricamente cobertos com mel, junto com a parte mais pesada de seu jantar. Jennie contou-os. Lembrou-se de ter ouvido certa vez que os Davis não tinham o hábito de colocar uma mesa muito generosa; Era comum falar que a Sra. Davis era ainda mais "avarenta" do que o marido. Mas, no entanto, Henry parecia agora mais e mais genial e expansivo enquanto comia. O mesmo aconteceu com John. Quando a torta foi colocada diante deles, eles estavam rindo de uma piada que Henry ouvira na reunião de Grange. Jennie estava brilhante, atenta e cuidadosa. Se a conversa parava, ela fazia uma observação rápida. Ela se moveu suavemente entre a mesa e o fogão, enchendo os pratos. Ela providenciou para que um biscoito quente estivesse no cotovelo de Henry Davis quando ele estivesse pronto para isso. Todo o tempo, crescia dentro dela um forte gosto pela vida que ela julgaria impossível naquela manhã. Esta refeição, pelo menos, foi um sucesso perfeito, e realizações de qualquer tipo haviam sido poucas. Henry Davis saiu logo depois do jantar. Ele trouxe a conversa que havia proposto de falar de forma desajeitada enquanto se levantavam da mesa. Jennie estava pronta. "Eu disse a ele, John, que o pior estava acabado agora, e estamos ficando bem!" Ela riu. "Eu disse a ele que o estaríamos levando em breve os nossos pagamentos. Não é mesmo, John?". A mente de John não era analítica. Naquele momento ele estava confortável. Ele foi anfitrião de um delicioso jantar com seu antigo adversário, cuja face afiada suavizou-se maravilhosamente. Os olhos de Jennie estavam brilhando com uma confiança nova e surpreendente. Foi um momento natural para um otimismo irracional.  "Isso é certo, Sr. Davis. Acredito que podemos começar a esclarecer isso logo em breve. Se você pudesse ver o caminho certo para renovar a nota, talvez..." Foi feito. Os papéis estavam de volta ao bolso de Davis. Eles lhe ofereceram um adeus cordial da porta. "Da próxima vez que você vier, eu vou fazer biscoitos para você Sr. Davis." Jennie falou atrevidamente depois dele. "Agora você não esquece esses biscoitos, Sra. Musgrave! Eles certamente não são difíceis de comer". Ele se foi. Jennie limpou a mesa e colocou a lâmpada brilhante no centro da cobertura de oleado. Ela começou a lavar os pratos. John estava revirando os papéis numa prateleira suspensa. Ele finalmente sentou-se com o velho caderno e o lápis. Meditando, ele falou: "Eu acredito que vou fazer um pequeno desenho desde que eu tenho tempo hoje à noite. Só me ocorreu que se eu usasse minha cabeça um pouco mais, eu conseguiria mais rápido.". "Bem, agora você pode", disse Jennie. Não seria o jeito de John comentar ainda sobre sua repentina libertação. Ela limpou duas grandes maçãs Rambo e colocou-as em um pires ao lado dele. Ele parecia satisfeito. "Agora é disso que eu gosto." Ele sorriu. Em seguida, fazendo um aperto desajeitado em seu braço, ele acrescentou: "Diga, você está meio bonita esta noite". Jennie fez uma rápida tarefa de se libertar. "Estou junto com você!" Ela voltou, sorrindo e recomeçou a lavar a louça. Mas uma onda quente de cor subiu em suas bochechas rasas. John parecia mais grato por ela ter posto aquelas duas maçãs ao lado dele agora, do que no dia do outono passado, quando ela mesma colheu todas as batatas! Os homens eram estranhos, como a mulher de cinza dissera. Talvez até John estivesse precisando de algo a mais do que precisava do trabalho árduo e difícil que estivera fazendo. Ela arrumou a cozinha e colocou as crianças na cama. Parecia estranho estar pronta agora para se sentar. Todo o verão eles tinham trabalhado ao ar livre até a hora de dormir. Ontem à noite ela estava servindo manteiga de maçã até que parou, exausta, e John estava trabalhando no celeiro com a lanterna. Esta noite parecia tão pacífica, tão quieta. John ainda estava sentado à mesa, imaginando enquanto ele mastigava suas maçãs. Suas sobrancelhas não estavam desenhadas agora. Havia uma nova luz proposital em seu rosto. Jennie caminhou até a porta e ficou olhando através da escuridão e através do intervalo entre as árvores no final da pista. Luzes brilhantes e douradas continuavam brilhando através deles, quebrando-se vagamente através da floresta, piscando fortemente por um momento, depois desaparecendo atrás da colina. Essas eram as luzes dos carros felizes que nunca pararam em sua busca rápida por lugares distantes e mágicos. Essas eram as luzes da estrada que ela odiava. Mas ela não odiava isso agora. Pois hoje chegara finalmente a ela e deixara com ela um pouco de seu misterioso prazer. Jennie desejou, enquanto estava ali, que pudesse de alguma forma dizer à formosa estranha no casaco cinza que suas palavras tinham sido verdadeiras, que ela, Jennie, na medida em que fosse capaz, era para ser como ela e cumprir a sua parte como mulher. Por enquanto ela não estava imaginando como John estava fazendo, ainda assim sua mente estava planejando, esboçando em detalhes, fortalecendo-se contra as correntes de velhos hábitos, estabelecendo novos hábitos; vendo com clareza onde eles tinham sido enganados, onde eles cometeram erros que uma administração previdente e ordenada poderia ter evitado. Mas como John poderia ter se sentado para pensar em conforto antes, no tipo de cozinha que ela mantinha? Jennie mordeu o lábio. Mesmo que alguns dos tomates fossem estragados, se todos estragassem, haveria uma cozinha limpa em sua linha amanhã; haveria o passar de roupas no dia seguinte e novas refeições em sua cozinha limpa. Ela podia cantar enquanto trabalhava. Ela costumava fazer isso quando ela era uma menina. Mesmo que as maçãs apodrecessem nas árvores, havia certas coisas que ela sabia agora que devia fazer, independentemente do que John pudesse dizer. Pagaria melhor no final, pois ela havia lido as reais necessidades de sua alma, de seus olhos naquela noite. Sim, as esposas tinham que escolher seus maridos às vezes. Um leve e assombroso sopro de doçura subiu do colo de seu vestido, onde o pedaço de linho branco estava. Jennie sorriu para o escuro. E amanhã ela teria tempo para lavar o cabelo. Costumava ser desajeitado - e ela desejava poder ver a estranha mulher mais uma vez, apenas o tempo suficiente para dizer que entende o que ela disse. Na verdade, naquele exato momento, muitos quilômetros ao longo da rodovia, uma mulher de casaco cinza, com um chapéu cinza e uma pena de rosa, inclinou-se de repente perto do marido enquanto ele disparava o carro de alta velocidade à noite. De repente, ele olhou para ela e diminuiu a velocidade. "Cansada?" ele perguntou. "Você não falou por milhas. Vamos parar nesta próxima cidade?". A mulher sacudiu a cabeça. "Eu estou bem, e eu amo andar de carro a noite. É só - você sabe - aquela pobre mulher na fazenda. Eu não posso superar seu rosto e casa miseráveis ​​e tudo mais. Isso - foi tão desesperançoso!" O homem sorriu para ela com ternura. "Bem, me desculpe também, se tudo foi tão ruim quanto a sua descrição; mas você não deve se preocupar. Bom, querida, você não está chorando por isso, eu espero!". “Algumas pequenas lágrimas. Eu sei que é bobo, mas eu queria ajudá-la, e agora sei que o que eu disse deve ter soado perfeitamente insano. Ela não saberia do que eu estava falando. Ela apenas olhou para cima com um rosto cansado .E tudo parecia tão impossível. Não, eu não vou chorar. É claro que não vou, mas me empreste seu lenço, querido?”


Não é um lindo e encorajador texto? Como tudo pode mudar à medida que assumimos nossa vocação. Que possamos sempre agir de maneira coerente com o nosso chamado para que Deus seja glorificado e para que haja alegria entre aqueles que amamos, mesmo que as circunstâncias e a realidade sejam difíceis.

Obrigada por chegar até aqui ♥
Com carinho, Jessica.